Vício



Não gosto de vícios. Mas terei que admitir o(s) meu(s).

Desde que me lembro que sempre tive muito cuidado com potenciais vícios. Quando todos começaram a experimentar as primeiras bebidas alcoólicas, cigarros e drogas, mantive-me dentro da excepção e longe de compreender os motivos que levavam a estas novas experiências. Acho que sempre foi o meu "maldito" sentido de responsabilidade a querer dominar-me e a proteger-me de cair em hábitos que me afastavam da razão e do controlo total e absoluto das minhas capacidades.

Não foi fácil chegar a um estado de "nem tudo ao mar, nem tudo à terra". Mas a mudança fundamental deu-se quando melhor me comecei a conhecer e a compreender os meus limites. Tinha medo que o experimentar fosse o que bastasse para nunca mais ter fim. Porque era isso que me era passado na escola e em casa, e era um receio que eu vivia sem racionalmente perceber do que se tratava. Não era um medo dos malefícios que normalmente enumeramos quando falamos de adições (aqueles problemas físicos todos que o consumo excessivo poderia causar), era medo de me viciar em algo que me tirasse o foco e descontrolasse o meu mundo. Para mim, tudo tem que acontecer como eu espero, se assim não for, há uma cabeça que entra em stress e umas mãos que rapidamente dão visíveis sinais disso mesmo.

Com o tempo percebi então que poderia experimentar o que me despertasse curiosidade, que não estaria propriamente em perigo eminente, porque tenho controlo sobre mim, sou plenamente consciente das minhas acções e posso dizer que sei modera-las.

Seja como for, o problema de qualquer vício é a forma como molda a nossa forma de ver o mundo e agir. É como se perdêssemos a nossa capacidade crítica e a nossa visão relativa. Cega e esgota-nos. E por muito que qualquer pessoa (como eu) diga que se conhece ao ponto de poder experimentar coisas novas, não quer dizer que esteja imune ao vício. Todos temos um ou dois (ou mais).



O maior vício que descobri em mim é uma adição à novidade. O meu problema não é experimentar o quer que seja, é precisar de experiências novas constantemente, da adrenalina da criatividade, de aprender, de ver, fazer, sentir and so on. É por isso que tenho sempre tanta vontade de viajar e é por isso que às vezes ando mais deprimida, canso-me das rotinas, de não haver nada de novo na minha vida. Mas, mesmo assim, e talvez por ter um "quê" de vício também no controlo (control freak kinda), a ressaca não me faz partir em buscas desenfreadas pela minha "droga".

Este é apenas o maior. Tenho mais. Pelo menos mais um evidente. Mas falaremos dele mais tarde.

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