UMA HISTÓRIA SOBRE BATATA DOCE

Nem sei dizer o quanto adoro batata doce. E as memórias que me escondia.

Acho que é daqueles alimentos que nunca me despertaram interesse até a vida adulta me atingir sem "dó nem piedade", mas curiosamente é um alimento que me remete aos meus tempos de miúda e a tardes de inverno na minha terra-natal.
Lembro-me da minha avó ter uma patusca que utilizava apenas para assar batatas doces. Eram colocadas inteiras, logo depois de apanhadas directamente do quintal, apenas sobre o papel de alumínio que fazia sempre cobrir o dito aparelho de cozedura. Passado algum tempo, quando se antecipava o fim do processo, dispunha-as sobre a bancada onde lhes tocava com um pano de cozinha e verificava se estavam realmente cozidas. Concluindo que sim, havia todo um ritual de espera pelo arrefecimento das batatas que normalmente nunca se cumpria religiosamente, originando pois algumas queimaduras de língua menos agradáveis. Mas assim era. Sempre. Sem arrependimentos que valessem de lição a futuras fornadas.
Observava isto tudo, mas só agora me faço recordar. Não sei porque motivo retive este ritual tão claro na minha cabeça, nem porque teimava em manter-me como sujeito meramente observador. Hoje sou doida por batata doce, esteja ela em que forma estiver. Pode vir assada, pode vir frita, pode vir em tiras, em palitos, em rodelas ou pode mesmo só vir naquelas lascas de casca. Jamais me apanharão como sujeito passivo novamente.
A batata doce continua a vir do quintal dos avós, mas o ritual foi agora tomado por mim e redesenhado à minha maneira.
Batata doce, alecrim, azeite e sal grosso. É fim-de-semana e tenho saudades da família.

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