Diário de uma Solteira | Permissão para sentir

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Se alguma vez pensei ser possível? Nop. Até ao dia em que aconteceu.

Desengane-se quem acha que os solteiros de longa duração estão perdidos no mundo. Isto de se ser solteiro há uns bons tempos tem muita sapiência associada! O mais importante a reter sobre o assunto é que nos dá a capacidade de arrumar muito bem as ideias e assumir sem pudores aquilo que somos. Espera. Falada de ser-se solteiro ou da sabedoria que vem ficando com a idade? Bem, posso dizer que é um mix dos dois - solteiros sob o efeito de ambos, os enamorados sob o efeito de um deles -, mas de facto a independência de qualquer influência directa no foro amoroso pode dar-nos uma visão mais pessoal de quem somos, não estando presos ao quanto acreditamos naquilo que a "cara metade" acha/diz sobre nós. Para os solteiros o racional é mais simples (e egocêntrico?). Da nossa vida amorosa só há uma pessoa que percebe e tem toda a legitimidade para opinar: nós próprios.

Apesar de não ser uma miúda de relações voláteis, de achar que, a acontecer alguma coisa com alguém, tem que haver mais do que um "fazia..." (if you know what I mean), a verdade é que os anos me têm ensinado umas coisinhas mais sobre mim mesma. Continuo a mesma, com um "desejo" (ainda não encontrei a palavra certa para definir este sentimento) de encontrar alguém que funcione em simbiose comigo, mas deixei de me castrar a uma espécie de "isolamento afectuoso". 

Sempre fui pelo cinzento. As escolhas não têm - nem devem - limitar-se a preto ou branco. E nestes campos amorosos teria também que encontrar o meu tom cinza. Não vou ficar fechada na minha torre à espera de príncipe algum (lol) (desculpem utilizar "lol" mas foi um cenário absurdo, não me ocorreu mais nada) nem vou passar a frequentar o Urban todas as semanas - esta analogia ao Urban está a ficar um bocado gasta e já nem sei se continua o mesmo festival; mas continua a funcionar para passar a ideia.

Trata-se de uma estado (passageiro?) em que pura e simplesmente já não impera o alheamento - "boa Vanessa! Ainda foi nesta vida...". Consigo finalmente ver o que está à minha volta e agir na realidade conforme me faz sentir alguma coisa, ou não. Há finalmente espaço para o chamado go with the flow, sem o pensamento fatalista do "não vale a pena". O que interessam os prazos de validade? Se no momento faz sentido, é real e tem significado. Se deixar de fazer sentido logo ali, dias mais tarde, meses ou anos passados, a solução é tão simples quanto uma velha e intemporal citação: "que seja eterno enquanto dure".

O que é que continuará a não acontecer?
1. Assumir um namoro que não o é - namorar continua a ser para mim o que sempre foi, continua a ter o mesmíssimo significado, não sendo nunca levianamente invocada essa palavra. 
2. Definir qualquer relação utilizando glossários do senso-comum - as "regras do jogo" são para conhecimento e acordo das partes envolvidas, não sendo necessárias terminologias estereotipadas. 
3. Perpetuar relações que não têm significado - nem com as amizades o faço, não faria com qualquer outro tipo de relação.

Os princípios mantêm-se, continuo fiel a mim mesma, mas tenho que agradecer à liberdade de espírito e consciência própria que estes anos me trouxeram. Isto sim, é felicidade.

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