Pela nossa saúde, sejamos mais portugueses


Anos passados levavam-nos a espalhar a mensagem e a cultura portuguesa pelos quatro cantos da terra. Agora, pequenos como nos parecemos ter tornado - recuso-me a acreditar totalmente nisto -, deixamo-nos invadir por tudo, sem filtros. Vem a globalização e com ela tudo o que traz de bom e mau - especialmente o mau, diria eu. Mas também é verdade que as generalizações nos levam por caminhos erróneos. 

Já pararam para pensar no que andamos nós a comer? 

Trazíamos a Portugal, e continuamos a trazer, inúmeros turistas atraídos pelos aromas da nossa gastronomia tradicional. Mas depois, bem vistas as coisas, que comemos nós, nativos, no nosso dia-a-dia? Pizzas, hambúrgueres e sushi. Em que ponto da nossa existência deixámos nós de comer a nossa comida? E porquê? É de senso comum e todos gritamos aos sete ventos que a dieta mediterrânica é a melhor e mais equilibrada dieta do mundo. Então que “diabo” andamos nós a fazer? Há que dar mais valor à nossa tradição e começar a perceber que nem tudo o que é estrangeiro é bom. Pode saber bem – o que é inegável e cabe numa outra dimensão da conversa –, mas não é necessariamente a melhor opção para uma vida longa de qualidade.

Não estou com isto a querer defender que devemos deixar de comer sushi ou outro tipo de comida importada, mas acredito que a nossa saúde teria muito mais a ganhar se voltássemos a ter por base a nossa bem dita dieta mediterrânica. Voltem os frescos, voltem as frutas da época, os produtos hortícolas, os frutos secos, as ervas aromáticas, os iogurtes. Evitávamos certamente muitos ataques de pânico na miragem de umas simples análises de sangue, ou mesmo aquelas loucas dietas para emagrecer do “dia para a noite”. A verdade é que, num país onde 59,1% dos adultos e 32% das crianças com 11 anos têm excesso de peso, é fundamental mudar atitudes. O que no caso dos portugueses seria tão simples como regressar ao passado. Está cientificamente comprovado que um simples iogurte está associado à redução em 20% do risco de excesso de peso e obesidade. Mudanças simples, num simples lanche – que teriam sido evitadas se não fossem aquelas bolachinhas em pacotinhos tão bons para levar para qualquer lado –, são apenas um ligeiro recuo aos tempos áureos da alimentação portuguesa que nos retirava da novela sobre "comportamentos suicidas da alimentação pseudo-portuguesa".

Ok. Talvez esteja a ser um bocadinho radical e super dramática, mas realmente acredito que, pela nossa saúde, teríamos muito mais a ganhar se voltássemos a ser mais portugueses e menos híbridos. Na alimentação e noutras tantas coisas

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