Promessa de uma vida


O que é que se sente quando nasce o mais recente membro da família? Nada e tudo. Passada exactamente uma semana do nascimento do meu sobrinho, estou um tanto ou quanto incrédula - mas nem esta será a palavra certa para a definição. Vivo uma felicidade imensurável que se mistura com a introversão que me é mais característica. Será que alguma coisa destas faz sentido?

É estranho pensar que vem mais uma criança ao mundo, uma das nossas, para viver tempos instáveis e insanos até. Custa racionalizar aquilo porque vai ter que passar, as tristezas que vai viver, as dores de ser magoado, as mágoas de magoar alguém, a frustração de querer sempre mais e melhor, a impotência que um ser humano sente quando lê as notícias e se apercebe que na verdade o mundo é mau, hostil, cruel. Mas depois há aquele lado que nos é natural, aquele lado que nos leva a superar todos os "contras" com "prós" que muitas vezes nem são passíveis de definição, e muito mesmo traduzíveis em palavras. Acho que lhe poderia chamar "espírito natural". É um lado instintivo, aquele mesmo que nós usamos enquanto adultos para arriscar independentemente das adversidades e medos constantes. 

Esse mesmo espírito leva-nos a arriscar acreditar que "vai valer a pena". Porque, na verdade, nós vamos estar aqui exactamente para isso: para fazer o nosso papel e ensinar que vai, sem qualquer sombra de dúvida, valer muito a pena.

O mundo tem mais de extraordinário e magnífico do que cruel. Prometo.
Bem-vindo ao mundo, Valentim.

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