A minha primeira vez... como dadora de sangue



Desde pequena que me recordo do ritual. De quando em vez, lá iam os dois para a escola. Passados uns anos, lá iam os três. E agora, lá vamos os quatro.
Aos meus 22 anos de idade tornei-me dadora de sangue. 


Portugal está a perder um grande número de dadores. Somos cada vez menos, uma "perda por envelhecimento da população, porque há uma forte tendência de emigração de pessoas ainda jovens e muitos dadores certamente integrados nesse contingente. Perda porque as empresas fecham mais as portas para que se possa colher sangue ou mais dificuldade em libertar o trabalhador para dar sangue", referiu Hélder Trindade, presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) em entrevista à Agência Lusa no início deste ano.

Relativamente a números, só posso dizer que no dia em fui fazer a minha primeira recolha (escola básica da minha terra natal, onde se fazem as recolhas esporádicas) éramos pouquíssimos, umas 15 pessoas no máximo. Dada a fraca adesão, até a minha família foi motivo de conversa entre todos os médicos e enfermeiros, simplesmente porque éramos a única com todos os elementos presentes. Segundo o testemunho dos meus pais e irmão, em tempos passados havia filas de espera para a recolha, chegavam a passar 1h30m à espera para dar sangue. Desta vez foi só chegar, inscrever, fazer análises, comer, dar sangue e voltar a comer. Numa hora estávamos os quatro despachados e a caminho do almoço.

De há uns tempos tenho-me tornado menos auto-centrada, começo a perceber que o meu papel não passa apenas por fazer a minha vida, tenho também um papel na sociedade. Por isso doei cabelo e por isso agora me tornei dadora de sangue. O próximo passo será tornar-me dadora de medula óssea. 

O processo de dádiva de sangue é muito simples e o acompanhamento a quem faz a sua primeira dádiva é exemplar. Pelo menos comigo, tive toda a atenção, todo o apoio e esclarecimentos e até ganhei um diploma e tshirt com grande sentido de humor: "Como foi a tua primeira vez?", pode ler-se na tshirt que recebi. Se ainda restam dúvidas, saibam então que, com 1 litro de sangue vosso, podem salvar até 3 vidas.

Saibam mais sobre como ser dador de sangue aqui, no site do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST).
Sobre como ser dador de medula óssea, procurei informação aqui, no site da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL). Mas sobre essa experiência espero ter novidades para partilhar em breve.


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