Roteiros | Bela Invicta




Na qualidade de portuguesa eternamente enamorada pelo meu país, pareceu-me que já era hora de conhecer a cidade que, nos primórdios da sua existência, deu nome a este pedaço de céu à beira-mar plantado.
Este é o Roteiro de 3 dias para uma visita inesquecível à cidade do Porto.


Ainda que exista um "sem número" de locais a visitar e de coisas para fazer na cidade do Porto, partilho convosco a minha selecção e a sua respectiva avaliação.
Se vos parecer tentador, podem sempre aproveitar a minha experiência e o roteiro para tirarem as vossas próprias conclusões in loco.

Boa viagem!

Batalha - Igreja de Santo Idefonso
Chegar de autocarro, descer a Alexandre Herculano e deparar-me com esta beleza foi o melhor cartão de visita que poderia ter tido.
Depois de tanta pesquisa para fazer um roteiro decente, ainda me conseguiu escapar este ponto. Felizmente "bati de frente" com a Igreja de Santo Idefonso que, à semelhança de tantos outros edifícios no Porto, está coberta de azulejos azuis e brancos que se misturam com um estilo pesado e negro, barroco. A mistura dos dois elementos é soberba. 
Estação de São Bento
Mesmo sem chegar de comboio, é essencial passar pela estação de São Bento. Não só pela entrada onde nos vemos envolvidos pelas cenas retratadas em azulejo e grandes passagens numa mistura de pedra, vidro e metal, mas também pela plataforma dos comboios. Não é difícil imaginar as famílias mais abastadas da sociedade portuguesa do século XX a chegar e partir com grande cerimónia a um local como este. É sem dúvida um local onde facilmente fazemos uma curta visita ao passado.
A parte menos agradável será o grande volume de gente que encontrarão por aqui. Será difícil apreciar cada recanto ou tirar fotografias sem apanhar um qualquer desconhecido.
Francesinha - Café Santiago
Se meio mundo diz (e a Time Out confirma), acredito que seja mesmo no Café Santiago que se come a melhor francesinha do Porto.
Então lá fui experimentar a minha primeira francesinha. Gostei. Mas não fiquei fã. Estava boa, sem dúvida, mas fica bastante longe de ser o meu prato favorito. Demasiada comida (normalmente leva linguiça, salsicha fresca, fiambre, carnes frias e bife de carne de vaca, coberta com queijo, ovo estrelado e molho picante), demasiado pesado para mim. E eu sou uma mulher alentejana que não se acanha com um bom prato de cozido à Portuguesa.
Se se querem aventurar, aconselho a comerem apenas ao almoço e talvez tenham que desistir de a terminar para não ficarem com a mesma sensação de "rebentar pelas costuras" que eu (para quem vai andar quilómetros logo a seguir debaixo do calor, não é uma coisa inteligente de se fazer).

Jardins do Palácio de Cristal
Nem sei como começar a classificar estes jardins. Mágicos? Não sei ao certo. Sei que não há mais nada em que pensar quando se entra por aqueles portões e nos apercebemos da beleza que conservam.
Estão meticulosamente arranjados, oferecem-nos pequenas fontes de água ornamentadas, e umas outras tantas de água potável em todos os seus recantos, e tem uma vista sobre Vila Nova de Gaia e sobre o Douro de cortar a respiração.
Tirem umas duas horas para percorrem calmamente todos os recantos dos jardins. Mesmo assim, garanto que muito ficará por aproveitar. Este é um daqueles locais indicados para fazer piqueniques num domingo em família. Se vivesse no Porto, certamente seria um dos meus locais preferidos para "não fazer nada".

Casa da Música
Local um pouco estranho. Estranho porque o edifício e todo o espaço à sua volta é muito peculiar. Muita pedra, deixando a vegetação apenas para a Praça Mouzinho de Albuquerque. Achei muito curiosa a inclinação propositada do terreno com pequenas "bolhas" que parecem ter sido feitas a pensar nos skaters que por lá passam tardes em exercícios de "cair-levantar".
Fiquei decepcionada por o edifício estar fechado a visitas no dia em que por lá estive. Tinha grandes expectativas (talvez pela minha antiga ligação à música) que ainda se aguçaram mais depois de observar aquela obra arquitectónica por fora. Terá que ficar para uma nova visitar à cidade, juntamente com a ida a um concerto de orquestra.

Mercado do Bom Sucesso
Uma das surpresas mais agradáveis da visita. Um espaço ao estilo mercado da Ribeira (Lisboa), mas muito mais pequeno e muito mais acolhedor. Menos pessoas mas igualmente popular, ao que se sentia no ambiente, e cheio de coisas boas para experimentar: tapas, bolos, gelados, leitão, francesinhas, e tantas outras coisas. Entre as "tantas outras coisas" sugiro a Gin House que me serviu o melhor Mojito que já bebi na vida.
Afinal de contas, turista que é turista passa o dia a contar quilómetros nos pés, mas à noite trata-se como se a pernas não pedissem descanso.
Torre dos Clérigos
Realmente a torre é muito bonita por fora, mas a melhor parte do edifício é a vista que se tem do topo. Vale a pena subir todos os 240 degraus para ter uma vista privilegiada sobre a cidade - a subida tem um custo simbólico que ronda os 3€.

A visita à Igreja, que não tem qualquer custo, também é interessante pela parte da exposição e por permitir uma vista privilegiada da nave da Igreja. Ainda que pequena e não muito trabalhada, transmite a tranquilidade característica de uma igreja católica. 
Livraria Lello
Realmente será das livrarias mais bonitas do mundo.
A fila que se estende além das Galerias de Paris logo às 9h da manhã ilustra bem a popularidade do lugar. Mas é certo que a espera vale a pena.
Vão para "jogar um olho" aos pormenores da madeira e vitrais, tirar umas fotografias e aproveitem para comprar um livro. Porque apesar de ser um ponto turístico pela sua arquitectura, os donos fazem questão de não cobrar entrada aos visitantes, já que a livraria continua a funcionar como qualquer outra.

Sé Catedral
A Sé também é um ponto turístico obrigatório. Fabulosa por fora e por dentro. Com uma lateral especialmente interessante pelos seus arcos e varandas em pedra forradas de azulejos.
A catedral pode ser visitada sem qualquer custo, mas o claustro merece também ser visitado. Por apenas 4€ podem ver a parte museológica e ter acesso a um pequeno pátio com arcadas forradas de cima a baixo por azulejos fenomenais (como todos os outros que tenho vindo a referir).
Toda a mistura da robustez da pedra com a delicadeza das imagens e da própria fragilidade dos azulejos é fascinante. Podia passar horas a apreciar estes locais. 

Ponte Luís I
Há que atravessar a Ponte Luís I a pé e apreciar bem a vista e a beleza do ferro edificado.
Provavelmente vão apanhar algum vento dada a altura da plataforma de cima da ponte.
Tendo em conta a lógica deste roteiro, a minha sugestão é passarem para Vila Nova de Gaia pela plataforma de cima, junto à linha do metro. Vindos da Sé, esta é a passagem mais próxima para Gaia e que vos permite descer até à zona mais popular da margem de Gaia por teleférico.

Teleférico de Vila Nova de Gaia
A descida de teleférico é rápida, mas um pouco cara. Em todo o caso, dá-vos direito a uma prova de vinhos numa das Caves de Vinho do Porto mais próximas (sobre a possibilidade de escolha da Cave para a prova não sei muito mais que isto).
Aconselho a comprarem apenas uma viagem de ida e que regressem ao Porto pela plataforma de baixo da Ponte Luís I. Por falta de experiência comprei de ida e volta e por isso acabei por não passar a ponte pela plataforma de baixo (o que também me levou a dar uma volta muito maior para chegar à Ribeira do Porto).
Refeições na margem
E porque isto de ser turista também merece uma hora de boa comida e esplanada, parece-me que também é devido um almoço na margem sul do Douro.
A refeição não fica nada cara, mesmo no sítio em que é. Aliás, como em qualquer zona do Porto, a alimentação é muito barata, comparando com Lisboa.
Peçam um peixe do dia e deixem-se ficar a apreciar o Porto que se estende do outro lado do rio.
Passeio das Pontes
Quando marcámos o nosso hotel, marcámos também um bilhete que nos dava direito a um passeio de barco e uma visita às Caves (8€ por pessoa). Como tal, lá fomos nós ora Douro acima, ora Douro abaixo, cruzando as 6 pontes que atravessam o rio.
É um passeio engraçado, mas nada de extraordinário. Talvez tenha maior valor pela explicação história que se vai recebendo abordo através dos auscultadores que nos são facultados.
Margem de Vila Nova de Gaia
Barriga cheia, embalo da ondulação do rio; há que esticar as pernas ao sol e apreciar os rabelos que simbolicamente se carregam de pipas e exibem os nomes de família de cada Cave de Vinho do Porto.
Por falar em Caves, o melhor será aproveitar o compasso de espera para marcar uma hora para visitar uma das Caves. Nunca se sabe a afluência que poderão ter e por isso, mais por segurança, talvez seja melhor marcar a hora de entrada.
Caves de Vinho do Porto
Acabei por visitar a Cave Burmester.
A escolha acabou por se dever à sugestão de uma senhora do ponto de informações que nos disse que esta cave teria uma vista muito bonita da Ponte Luís I, já que se situava mesmo por baixo desta. E como seria de esperar das gentes do Porto, não fomos enganados de forma alguma.
Tivemos um explicação clara de como surgiu esta Cave, a forma como são feitas cada uma das variedades do Vinho do Porto e tivemos direito a provar o "elixir" Burmester. Uma delícia, claro.
Ribeira do Porto
A Ribeira da cidade do Porto tem uma beleza muito particular. As suas casas coloridas e azulejadas são de uma diversidade que, pela confusão arquitectónica, tornam a paisagem peculiarmente bela à contemplação. Vale a pena passear de uma ponta à outra, apreciar os artistas de rua que distribuem música entre as gentes, ouvir os pregões que ecoam rio acima e ver o sol descer sob o horizonte pintando os edifícios dos dois lados da margem de uma luz indescritível.
Jantem num dos muitos restaurantes que podem encontrar neste lado do rio e deixem a noite cair à vossa frente entre sabores e conversas, entre o descanso dos pés e a vida boémia. Os reflexos dos edifícios no rio são algo que merece ser visto.

Galerias de Paris
Carregadas as energias e de balanço tomado, quem vem ao Porto tem que passar uma noite pelas Galerias de Paris. Tal como Lisboa, a noite começa por volta das 23h/00h, mas há sempre espaço para sentar e tomar um Gin "nos entretantos".
E se os "finos" não são o vosso estilo, passem então apenas para apreciar a vida nocturna. Há gente por todo o lado, alegre, como sempre se encontra nesta cidade. 
Avenida dos Aliados
Uma das avenidas mais emblemáticas do Porto. Há toda uma panóplia de edifícios a admirar por aqui. Normalmente é devido à sua amplitude e vista desafogada que também se realizam inúmeros eventos da cidade por aqui.
Quem sabe, para ganhar coragem para o dia de trabalho do dia seguinte, saiba bem comer um gelado debaixo das árvores da avenida e contemplar a vida que passa.









Outras dicas:
No Porto come-se muito bem. Tudo é muito mais barato, comparando com Lisboa. É possível comer bem mesmo para quem vai viajar com os tostões contados. Qualquer prato completo, mesmo que num sítio emblemático e muito turístico sai bastante em conta. Por isso aproveitem para arranjar mesas com vista para os locais mais belos da cidade; não são acessíveis apenas para estrangeiros.

Um desvantagem do Porto, e eventualmente a única para quem vai apenas de fim-de-semana, é o facto de tudo fechar ao domingo. Se quiserem aproveitar para fazer algumas compras na Rua de Santa Catarina (ou em qualquer outra da cidade), o melhor será não guardarem esses afazeres para o domingo. Até o emblemático café Majestic fecha para descanso do pessoal. Infelizmente, por não saber tal coisa, não consegui visitar o Majestic e o mercado do Bolhão, dois sítios que, do que me pareceu às passagens que lhes fiz nos dias anteriores, mereciam realmente a visita.

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