Diário de uma Solteira | Homens com medo de Mulheres

Fonte: Pinterest

Lembro-me claramente de aos meus 14/15 anos detestar a série "Sexo e a Cidade". Achava aquilo uma estupidez: solteironas desesperadas que fazem do sexo ocasional o seu escape para a infelicidade do dia-a-dia. Hoje, vejo as coisas de forma muito diferente. Já sou capaz de compreender o contexto e a realidade daquelas personagens. Vinda de uma terra tão conservadora e castradora ao nível da liberdade individual, naturalmente seria quase impossível identificar-me com qualquer uma das personagens. Mas o meu percurso trouxe-me além dessa condição, e vejo-me hoje uma amante da série. Porque cada episódio coloca em discussão a conciliação entre se ser completamente feliz e realizado e ser-se solteiro, debates que, episodicamente, também tenho no contexto da vida real.

Um destes debates é o despertar do "medo" no sexo masculino.
As mulheres independentes assustam os homens na sua generalidade. E quem os pode condenar? Afinal, ninguém os preparou para isto. A autonomia e resistência emocional da mulher tornam-se obstáculos a uma das técnicas mais antigas de aproximação do homem: "tu precisas de mim porque só eu te posso dar isto". Como "a coisa" já não funciona bem assim, todo o mundo masculino anda em alvoroço porque é urgente repensar esta remota técnica vencedora. E esta poderá não ser uma tarefa para meninos. Os seus progenitores nunca poderiam ter antecipado tal viragem na sociedade, preparando previamente os seus filhos para a realidade que iriam enfrentar. Nós simplesmente deixámos de precisar dos homens dessa forma porque não há nada que só um homem possa dar - nem para satisfazer as exigências do nosso relógio biológico precisamos de um homem ao nosso lado. Posto isto, todo o sistema milenar de aproximação e matrimónio foi "por água abaixo".
A mulher de hoje quer ser auto-suficiente e faz por sê-lo. Não fica à espera que venha um homem que corrija a sua vida e transforme os seus sonhos em realidade. Ela é a princesa e o príncipe da sua vida, e os homens deste mundo devem perceber isso. Já não há um lugar vazio à espera de ser ocupado. Toda a vida de um mulher está preenchida por um sem número de coisas a tempo inteiro, e vai ser preciso muita luta para conseguir um lugar na sua agenda. Acabou-se o facilitismo. Somos cada vez mais exigentes e vamos exigir muito dos homens. Se querem mulheres inteligentes, confiantes e determinadas, é nesta guerra que têm que entrar.
Mas afinal será este o tipo de mulher que um homem procura? Parece-me que a maioria ainda anda à procura das donzelas indefesas que lhes dão uma sensação de poder e posse essenciais à sua auto-estima. Mas quero acreditar que haverá um grupo crescente que sim, procura estas mulheres independentes. Até porque em alguns anos as mulheres dependentes estarão em extinção, espero.
No fundo, nós mulheres somos cada vez "mais homens" nas nossas relações e na vida em geral. Felizmente a evolução da sociedade para a igualdade de géneros tem percorrido este caminho e, quero acreditar, que daqui por uns tempos já nem para um homem será estranho encontrar a mulher nesta posição decisora e de controlo de si mesma, e este medo que agora têm de nós será no futuro exclusivamente designado: desafio. Chega de medir o "sexo forte" e preocupemo-nos mais em ser pessoas fortes, realizadas e felizes.
Agora que esclarecemos que nós, mulheres solteiras, independentes, completas e felizes sabemos que vós homens têm medo de descobrir o que custa conquistar-nos, já não têm o que esconder. Nós não vamos abdicar nem por um segundo da nossa independência e vamos exigir mil e uma condições, é verdade. Mas uma das vantagens de sermos mais determinadas é podermos garantir que vamos dispensar qualquer esforço adicional da vossa parte logo que vejamos que não há potencial para resultar.
Não, não estamos desesperadas em encontrar "o homem das nossas vidas". Mas não somos hipócritas. O nosso cenário mais idílico não é passarmos o resto das nossas vidas sozinhas.

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