Desenlaçar

Há várias coisas que morrem ao longo da nossa vida. Morrem pessoas, morrem animais de estimação, mas na verdade tudo se resume à morte de relações. Os laços que nos unem aos outros vão-se modificando a cada dia e, por diversos motivos, com algumas pessoas tornam-se mínimos ou morrem. Ou a pessoa vai para longe, ou falece, ou se perde o denominador comum, ou um qualquer outro motivo.
Há sempre um simbolismo associado a cada pessoa que se cruza connosco a um nível mais íntimo. Algo único que só podemos encontrar ali e é insubstituível. E é por isso que, quando morre uma relação destas, há sempre um vazio que jamais será novamente preenchido.
Surge então o sentimento de perda. E depois das lágrimas, do pranto e das mil e uma reflexões vem a hora de perceber o bom que ficou. Pensamos em tudo o que aprendemos com aquela relação, com aquela pessoa e encaramos tudo isso com um sorriso. Mas depois vem a saudade e a nostalgia. As saudades do que foi, do que poderia ter sido, do que não foi dito, do que não foi feito.
A saudade torna-se então o sentimento mais comum e mais cruel. Não nos deixa sossegar. Vem de mansinho e apunhala-nos pelas costas quando tudo parecia estar arrumado no devido lugar. E tem um dom especial: consegue invadir o nosso pensamento até durante o sono.
Parece que a vida é feita destas coisas, mas há pessoas que queremos guardar sempre para a vida, e manter sempre por perto.
Dizem que passa. Quero acreditar que sim.


Vanessa, from A Woman's Diary

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