Alguém um dia escreveu...

Quero partilhar um texto de um amigo convosco. 
Octávio Lousada Oliveira, aluno de mestrado em Ciência Política no ISCSP, escreveu no Jornal Desacordo o seguinte artigo de opinião:

«Todos temos um amigo ou uma amiga ou um mero conhecido que não foi bafejado(a) pela sorte ou com que a tirania natural, como designou o Pessoa banqueiro anarquista, não foi meiga. E explico: a tirania natural diz respeito à distribuição de qualidades e aptidões inatas, físicas e psicológicas, pelos seres humanos e em relação às quais pouco ou nada podemos fazer. Um coxo dificilmente poderá vencer uma corrida de 100 metros – a menos que recorra a alta tecnologia -, Rowan Atkinson jamais será um homem elegante e tampouco Cristina Ferreira algum dia exalará inteligência pelos poros.
No amor (e no sexo) a lógica é a mesma: por muito que se esforce e que o ensejo assim o permita, o(a) vosso(a) amigo(a) de óculos fundo de garrafão, dentes tortos, marreco e mentalmente pouco(a) esclarecido(a) nunca será o(a) predilecto(a) do sexo oposto. É a lei do mercado e a elasticidade da procura nestes bens é tremenda. Se puder ter uma moradia com piscina e campo de golfe em Albufeira, não vou comprar um T1 na Rinchoa.
E onde é que anda o Estado nesta matéria? Que papel regulador é que desempenha? Qual é o comunista ou solidarista ou assistencialista que dedica cinco minutos das suas reflexões a este drama de milhões de pessoas em todo o mundo? Existe alguma prestação social, algum subsídio que salvaguarde esta forma de exclusão e que proteja quem mais precisa de…? Nada. Um redondo zero.
Neste caso, eles que se desenrasquem. Precários? Não sejam preguiçosos. Ponham mãos à obra! Há por aí milhentas pessoas sequiosas por qualquer coisa…
No que concerne a uma das necessidades mais prementes para todo e qualquer ser humano já somos todos muito liberais. O mais nobre partidário do Estado de Providência, o pai-nosso que está na capital, transforma-se num “selvagem” Nozick quando são estas as questões em cima da mesa.
Por isso, como venho defendendo há já algum tempo, a esfera pessoal e o domínio afectivo (e da cópula) são as provas de que o assistencialismo é uma solução bacoca e ineficaz. A tirania do auxílio, também um termo pessoano, faz minguar e oblitera a iniciativa e o mérito nas sociedades.
Aquele estudo publicado há uns tempos que afirmava que os homens de esquerda são mais activos sexualmente deve encerrar em si mesmo vários erros metodológicos. Aliás, se em praça pública fazem questão de que o Estado os carregue ao colo, imagino a dificuldade para se desenvencilharem sozinhos num quarto com uma miúda…»


Nunca havia pensado nisto, contudo, não podia estar mais de acordo com as suas palavras.
Parabéns Octávio!

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