Aos caloiros


O tempo voa. Já o tinha mencionado num post recente. Ainda sinto aquela mistura brutal de sentimentos de quando soube os resultados das colocações no ensino superior 2010/2011. Ora estava ansiosa, ora estava receosa pelos tempos que me aguardavam e por não ter a mínima noção daquilo que me esperava. Sempre quis a minha independência o mais rápido possível, e aquele era o sinal verde para começar a construi-la, começando por viver sozinha e tratar de todos os assuntos por minha conta; podendo finalmente, anos mais tarde, atingir a plenitude da minha "liberdade" quando me licenciasse e empregasse (algo bastante difícil de conseguir, nos dias que correm). Parecendo que não, três anos passam num ápice e, daqui a nada, estarei novamente a escrever sobre o quanto foi bom o meu tempo de estudante.




Esta segunda-feira chegou a nova fornada de bicharada à faculdade, olhar para eles é como rever-me novamente. Pareciam assustados, muito intrigados, sem perceber bem o que lhes estava a acontecer, o porquê da praxe, o porquê de tanta gente trajada, o porquê de os sujarmos, o porquê de tudo o que os rodeava. Poucos se ousavam a rir, estavam demasiado amedrontados com um ambiente totalmente novo e intrigante que nem se atreviam a desobedecer a qualquer ordem absurda que lhes impingíssemos. 

É de facto engraçado agora fazer parte do outro lado, porém, confesso que não tenho jeito para praxar ninguém. Há muita gente que não gosta da praxe, julga que é uma questão de humilhação e ridicularizar os recém-chegados, mas para mim, e para todos aqueles que compreendem o peso do traje, é acima de tudo uma oportunidade de integração e libertação. Nada é impingido com maldade, o que mais queremos é que todos se divirtam e que possam ter experiências comuns sobre as quais discutir, que lhes permitam criar um espírito de equipa. Passa tudo pela forma como vemos a praxe, como a encaramos, se tivermos uma mente aberta, será dos melhores dias das nossas vidas, se formos com uma mente fechada, vamos achar uma parvoíce, uma criancice pegada, que existe somente para fazer os outros rir às nossas custas. Acho que é mais uma oportunidade para se ser criança sem que ninguém nos julgue crianças de facto.

De qualquer forma, tenho que ter a noção de que a praxe não é igual em todas as faculdades e institutos. Mas no que respeita ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, não tenho nada a apontar.

3 comentários :

  1. A praxe no ISCSP é muito boa e orgulho-me de ter contribuído para o seu desenvolvimento, de uma ou outra forma.
    No meu ano mal houve praxe, havia uma semana de recepção mas ninguém nos disse sequer para ficarmos. Ninguém se conheceu em condições e foi horrível para muitos de nós.
    Fomos sujados, levaram-nos a almoçar e depois, adeus. Sem grandes conversas, jogos ou incentivo à convivência. Foi triste e é por isso que desejo que toda a gente tenha praxes, porque não ter é bem, bem pior!

    (e tenho a certeza que a maioria dos caloiros de 2008 subscreve).

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  2. Eu subscrevo Joana! Tudinho.

    Há alguns sítios que compreendo que não gostem de praxe, há gente que exagera. Mas quando as coisas são bem feitas, é algo muito giro e pelo qual todos devíamos passar.

    Rita Santos

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  3. Exacto, partilho das ideias de ambas. A praxe é boa para a integração num ambiente totalmente novo, quando é feita como deve ser. Passa, entre outras coisas, pelo fomento de jogos dinâmicos que favorecem o convívio entre os recém chegados entre si, e aqueles que mais têm para lhes contar sobre o que vão de futuro enfrentar, nós, entidades praxantes.

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